|
JOGADORES OU SOLDADOS? EIS A QUESTÃO! A luta é realmente necessária?
Observação inicial: Esse texto não tem por pretensão fazer um apanhado da história dos consoles de mesa, nem defender ou denegrir qualquer empresa ou qualquer tipo de jogador, se não consegui atingir tais objetivos perdoem-me.
Século passado, eu era apenas um criança em busca de divertimento e interatividade (leia-se: nova maneiras de vadiagem). Nessa incansável busca, inevitavelmente, um console se apresentou até mim, um Atari do meu vizinho, o qual nem me lembro mais o nome. Aquele Atari com toda sua 'potência' nos prendia por horas, dividindo-nos entre Frogger, Enduro e River Raid, até que a mãe dele gritava para desligá-lo porque certamente iria queimar a TV. (Eu falei para seu pai não comprar isso! Desliga! Agora! Já!)
Que maravilha era pular entre carros, dirigir milhas ou destruir navios e aviões inimigos, tudo parecia tão perfeito com aquele controle de só um botão em nossas mãos! (Ei! Não force demais senão quebra o controle! – essa era a tônica).
Isso foi o meu primórdio “gamístico”, mas certamente foi o de muitos jogadores. O Atari se tornou popular e foi uma porta para as crianças terem contatos com jogos eletrônicos, iniciando uma nova briga entre psicólogos e desenvolvedores que se estende até hoje. (Oh! Meu filho está viciado! A culpa é do vídeo-game, ele não faz as tarefas da escola, não lê nada! E tenho medo da violência que ele aprende nessas porcarias!).
Depois da Atari, Sega e Nintendo inicia a luta pelo poder do divertimento eletrônico, tempos memoráveis de lutas ferrenhas entre NES e Master System, Mega-Drive e SNES. Há! E também é o tempo do advento dos defensores de empresas, pois é nesse tempo não usávamos a expressão fanboy, mas eles existiam, na briga ferrenha entre os melhores jogos, entre os melhores personagens. (Sonic corre mais que Mario, que isso? Mario tem mais fases! O meu Mega é melhor! Não, não! O SNES é muito mais divertido, olha! Eu tenho Final Fight, Bah! Eu tenho Streets of Rage!)
Verdadeiros gladiadores de locadoras, os intrépidos defensores, faziam de tudo para manter sua empresa no top, senão desse para converter pela lábia, que fosse à força. (Sério, já presenciei boas lutas entre ‘fanboys’ juvenis).
Hoje em dia, a Sega é apenas uma sombra do que fora, e a grande luta fixa entre Nintendo, Sony e Microsoft. É... Quem diria que a Microsoft se aventurasse nesse nicho, mas dinheiro e influência são tudo nesse mundo não é? (GO! GO! Bush!).
Nossos ‘fanboys’ estão cada vez mais ferrenhos, com suas discussões na internet, em fóruns especializados, blogs, podcasts, spams, etc. Com o passar do tempo, verdadeiros exércitos se criaram e cada vez os defensores se apegam às inovações tecnológicas e especificações técnicas de seus consoles. (Joguemos numa tabela a contagem de polígonos, a velocidade do processador e a quantidade de memória e saibamos qual é o melhor console, vamos, vamos, o seu console não consegue fazer isso, o meu sim, olha o gráfico disso!).
A cada geração de consoles, as empresas tentam melhorar seus consoles em termos de desempenho, poder de imagem, processamento, memória, atrativos online, etc. Ignorando essa receita, a Nintendo estancou-se: Será que essa corrida é necessária? Será que não estamos deixando alguns jogadores para trás? Gráfico é tudo? (Insira a velha frase da Sprite aqui...).
Com o lançamento do Nintendo Wii, o barril de pólvora em que os fanboys se agarravam estourou de vez. Com idéia de que gráfico não era tudo e que a jogabilidade deveria ser o foco, a Nintendo retrai-se com um hardware modesto, com um controle que tenta inovar. Resultado da receita: O Wii vende espantosamente bem e ao mesmo tempo em que vende bem uma enxurrada de ‘budget titles’ aparece. Jogos simples que tentam usar o sensor do movimento do Wii para chamar de voltar à vida aqueles jogadores antigos que vêem os jogos de hoje como algo muito complexo e tentar capturar aquele cidadão que nunca se interessou por um jogo sequer. (Vai vovó! You can do it!).
Como um santo tentando curar leprosos, a Nintendo tenta ditar novas regras no mundo dos games, o que os jogadores querem é simplicidade, eles querem jogos casuais, pegar e jogar, sem comprometimento. (Minha Vó pode jogar vídeos-game agora, seu pai, sua tia, seu cachorro, sua sogra, é a revolução!).
Mas essa seria a solução para o novo século? A Nintendo abriu as portas para o que se tem chamado de jogadores casuais, jogadores que não se comprometem muito com a jogatina, não possuem muito tempo, e que pode ver jogo como algo simples. O problema que veio com isso foi: cada vez mais, há enxurradas de jogos sem qualidade que fazem descrédito a história da Nintendo, apenas pegando o barco do dinheiro fácil, e um pseudo-desamparo daqueles jogadores que vão até seus consoles para terem uma experiência mais profunda, uma experiência complexa, “cinematográfica”, ou até mesmo sanguinolenta. (Falando nisso, devo começar God of War de novo?)
Para esses tipos de jogadores, foi atachado o vocábulo Hardcore. Hardcores gamers. Aqueles seres que conseguem passar horas e horas em um jogo, que acompanham suas histórias, seus materiais, e que, sobretudo desejam cada vez mais complexidades em seus jogos, cada vez mais realidade retratada. Ainda lembram-se dos nossos defensores no início do artigo? A briga agora é essa hardcore VS casual. Complexidade VS simplicidade. (Mas quem veio primeiro? A galinha ou o ovo?)
Quais as regras que devem ser seguidas nesse campo? Devemos ter um console especifico para cada tipo de experiência? E por fim, qual é o melhor console?
Para essa última pergunta, fica uma dica de um grande sábio: “A mulher mais bonita do mundo, é aquela que você ama.”
Na ‘guerra’ dos consoles, não deve ser diferente, quais são os jogos que mais lhe apetecem o paladar? Qual lhe dará mais prazer em jogar? Some tudo isso e faça sua receita, mais de um console lhe agrada? Quer ter todos? Que tenha, horas bolotas. Afinal essa briga é antiga, e só vemos por um foco diferente. Nossos soldados, sempre existiram e existirão e que viva a liberdade de expressão! (Até rimou )
 Enviado por: Kijof
em 28/03/2008 às 08:33hs
[Comente]
|